O poema morre por Pedro Cleto (Día das Letras Galegas 2016)

O Poema Morre-Metrópoles DelirantesReflexão sobre a guerra ou história simples dos amores e desilusões que um poeta viveu, esta é uma obra densa e multifacetada, em que por vezes texto (elaborado e complexo de David Soares) e ilustração (de contornos imprecisos e muitas variações de cinza de Sónia Oliveira) parecem – enganadoramente – caminhar separados, negando a essência indivisível do conceito de banda desenhada.

Segundo O poema morre, no fundo, talvez a vida não seja mais do que sucessivas batalhas de uma imensa guerra, duramente travada em nome de uns poucos momentos de felicidade transitória que, sabemos de antemão, antecedem sempre (novas) quedas, fracassos, derrotas de quem os viveu, mesmo que intensamente.

Às memórias – contraditórias – de amores juvenis, primeiras experiências sexuais, oposição parental, peso das diferenças sociais e opressão dos iguais ou próximos, o protagonista tenta acrescentar momentos reais – iguais – do presente, mesmo que pagos, mesmo que efémeros, com horas e minutos contados, numa tentativa fútil de reviver com a (desiludida) inválida de hoje, sem pernas nem braços, o que a (sonhadora) jovem de ontem lhe entreabriu.

Para descobrir, finalmente, que, nesta vida, “subindo, trepando, ascendendo, sempre subindo, trepando e ascendendo”, a par de recorrentes tombos e escorregadelas, a omnipotente Guerra – todas as guerras e guerrinhas… – não deixa aspirar a mais do que “tentar não cair”…

  • O poema morre
  • David Soares (argumento)
  • Sónia Oliveira (desenho)
  • Kingpin Books
  • Portugal, Outubro de 2015
  • 197 x 250 mm, 68 p., pb + cinza, capa dura
  • 13,99 €

Recomendação de: Pedro Cleto. Crítico, divulgador e traductor, colabora com salões e festivais e no Jornal de Notícias, também escreve no seu propio blogue, As Leituras do Pedro.