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Vencedores dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada – AmadoraBD 2016

Ja conhecemos os vencedores dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada que foron atribuídos este sábado no âmbito do Festival de BD da Amadora, que decorre até 6 de novembro. O júri dos PNBD foi constituído por: Luís Salvado, Marco Mendes, Nelson Dona e Sandy Gageiro.

Melhor Álbum Português

Tudo Isto é Fado, de Nuno Saraiva (EGEAC e Museu do Fado).fado-metropoles-delirantes Seguir lendo

Nomeados aos prémios nacionais de BD – Amadora BD

Amadora bd-Metrópoles DelirantesJá são conhecidos os NOMEADOS para os prémios nacionais de banda desenhada.

Foi divulgada a lista dos nomeados dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada. Este concurso que decorre no âmbito do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora é, desde 1990, atribuído pela Câmara Municipal da Amadora e tem por objetivo distinguir os melhores trabalhos realizados ao longo do ano, contemplam 5 categorias distintas: melhor álbum, melhor desenho, melhor argumento, melhor tira humorística, melhor ilustração.

O Júri composto por Nelson Dona (diretor do Festival), Luis Salvado, Sandy Gageiro (jornalistas e comissários da exposição do Ano Editorial Português) nomeou hoje os 5 melhores por categoria estando estes sujeitos a uma nova votação.

A lista dos vencedores será divulgada publicamente durante a Cerimónia de Entrega dos Prémios do 27º AmadoraBD- Festival Internacional de Banda Desenhada, no sábado dia 29 de Outubro.

Lista dos Nomeados:

MELHOR ÁLBUM PORTUGUÊS

  • “As Aventuras de Fernando Pessoa”, de Miguel Moreira e Catarina Verdier, ed. Parceria AM Pereira.
  • “Kong The King”, de Osvaldo Medina, ed. Kingpin Books.
  • “O Poema Morre”, de David Soares e Sónia Oliveira, de. Kingpin Books.
  • “Tudo Isto É Fado!”, de Nuno Saraiva, ed. EGEAC e Museu do Fado.
  • “Os Vampiros”, de Filipe Melo e Juan Cavia, ed. Tinta da China

MELHOR ARGUMENTO PARA ÁLBUM PORTUGUÊS

  • André Oliveira em “Vil – A Tragédia de Diogo Alves”, ed. Kingpin Books David Soares em “O Poema Morre”, ed. Kingpin Books.
  • Filipe Melo em “Os Vampiros”, ed. Tinta da China.
  • Francisco Sousa Lobo em “O Cuidado dos Pássaros”, ed. Chili Com Carne.
  • Mário Freitas em “Fósseis das Almas Belas”, ed. Kingpin Books.
  • Osvaldo Medina em “Kong The King”, ed. Kingpin Books.

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Os Vampiros por João Miguel Lameiras (Día das Letras Galegas 2016)

Vampiros-Metrópoles DelirantesConhecidos graças à série Dog Mendonça e Pizzaboy, o maior sucesso da BD portuguesa dos últimos cinco anos, a dupla Filipe Melo e Juan Cavia regressa à Banda Desenhada com Os Vampiros, uma novela gráfica de grande fôlego que será lançada no final de Maio no Festival de BD de Beja.

Centrada no destino de um grupo de comandos portugueses destacados na Guiné, enviado para uma missão secreta no Senegal, que se revelará uma viagem ao coração das trevas, Os Vampiros é claramente um passo em frente no percurso dos dois autores. Apesar do título poder evocar o universo sobrenatural das aventuras de Dog Mendonça, essa evocação é enganadora. Este livro é algo completamente diferente, onde o terror é agora sobretudo psicológico e tremendamente humano, sem o humor presente em Dog Mendonça. Se quisermos estabelecer um paralelo com o cinema, área em Filipe Melo também dá cartas (tal como Dog Mendonça, Os Vampiros também começou por ser um guião para cinema) podemos dizer que, se Dog Mendonça estava mais próximo de um Indiana Jones, ou das Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim, Os Vampiros é o Platoon, ou talvez até mais, o Apocalipse Now de Melo e Cavia.

Uma obra tremendamente ambiciosa e perturbadora, sobre o horror da guerra e os demónios que existem dentro de cada homem, muitíssimo bem contada e maravilhosamente desenhada por um Juan Cavia que se revela igualmente um colorista de excepção. O ano ainda agora vai a meio, mas não tenho grandes dúvidas que Os Vampiros é a melhor BD portuguesa de 2016.

Recomendação de: João Miguel Lameiras. Mestre em História da Arte Moderna da Universidade de Coimbra, professor da Licenciatura de Banda Desenhada e do Mestrado de Ilustração da ESAG (Escola Superior Artística de Guimarães). Sócio-gerente da Livraria Dr. Kartoon. Escreve sobre Banda Desenhada no jornal Público, na revista Bang! e no seu blogue Por Um Punhado de Imagens.

O poema morre por Pedro Cleto (Día das Letras Galegas 2016)

O Poema Morre-Metrópoles DelirantesReflexão sobre a guerra ou história simples dos amores e desilusões que um poeta viveu, esta é uma obra densa e multifacetada, em que por vezes texto (elaborado e complexo de David Soares) e ilustração (de contornos imprecisos e muitas variações de cinza de Sónia Oliveira) parecem – enganadoramente – caminhar separados, negando a essência indivisível do conceito de banda desenhada.

Segundo O poema morre, no fundo, talvez a vida não seja mais do que sucessivas batalhas de uma imensa guerra, duramente travada em nome de uns poucos momentos de felicidade transitória que, sabemos de antemão, antecedem sempre (novas) quedas, fracassos, derrotas de quem os viveu, mesmo que intensamente.

Às memórias – contraditórias – de amores juvenis, primeiras experiências sexuais, oposição parental, peso das diferenças sociais e opressão dos iguais ou próximos, o protagonista tenta acrescentar momentos reais – iguais – do presente, mesmo que pagos, mesmo que efémeros, com horas e minutos contados, numa tentativa fútil de reviver com a (desiludida) inválida de hoje, sem pernas nem braços, o que a (sonhadora) jovem de ontem lhe entreabriu.

Para descobrir, finalmente, que, nesta vida, “subindo, trepando, ascendendo, sempre subindo, trepando e ascendendo”, a par de recorrentes tombos e escorregadelas, a omnipotente Guerra – todas as guerras e guerrinhas… – não deixa aspirar a mais do que “tentar não cair”…

  • O poema morre
  • David Soares (argumento)
  • Sónia Oliveira (desenho)
  • Kingpin Books
  • Portugal, Outubro de 2015
  • 197 x 250 mm, 68 p., pb + cinza, capa dura
  • 13,99 €

Recomendação de: Pedro Cleto. Crítico, divulgador e traductor, colabora com salões e festivais e no Jornal de Notícias, também escreve no seu propio blogue, As Leituras do Pedro.